Bom dia Sol!
Hoje te chamarei de Sol, sim, Sol!
Para alguém com um conhecimento musical mínimo fica fácil decifrar 'Sol'.
Te chamo de Sol porque é a sua inicial!
Te chamo Sol porque te vi crescer em Dezembro!
Te chamo Sol porque senti seu calor!
Te chamo Sol porque seu brilho é intenso!
Te chamo Sol porque é impossível não perceber você.
Te chamo Sol porque eu só percebi que estava no escuro quando te vi crescer.
Te chamo Sol porque você trouxe vida onde nada mais havia.
Te chamo Sol porque você nutriu minha quase escassa vontade de acreditar.
Te chamo Sol porque você compatilha meus sonhos, meus medos, minha solidão.
Te chamo Sol porque sei que está longe para não me queimar.
Te chamo Sol porque acordo pra te ouvir cantar.
Te chamo Sol porque meu mundo gira em torno de ti.
Te chamo Sol porque descobri que não há vida sem você.
Te chamo Sol porque te quero perto de mim.
Te chamo Sol e me apresento, sou Fogo, tua força, teu servo, teu alimento.
Felipe Portaro
Linhas imaginárias dividem nossas ações e pensamentos constantemente.. O que seria de nós sem elas?
sábado, 19 de junho de 2010
Tão azul... (Música)
Você que não sabe que eu sou tão azul
quanto céu quando não passo por você
não sei se muito quero ou só quero
se só quero estar com você
E dormir e acordar só pra te ver só pra te ver
E todo dia, dia a dia, fazendo meu choro poesia pra te fazer sorrir
e todo dia, todo dia, te pedir só mais um dia
por toda vida te queria para mim
só pra te ter, só pra te ter
Por todos os meus dias...
a cobiça me consome sempre que te vejo passar, anseio por um olhar,
por um vestígio de desejo, mas você inisisti em não me notar
ah..meu bem-querer..
Felipe Portaro
quanto céu quando não passo por você
não sei se muito quero ou só quero
se só quero estar com você
E dormir e acordar só pra te ver só pra te ver
E todo dia, dia a dia, fazendo meu choro poesia pra te fazer sorrir
e todo dia, todo dia, te pedir só mais um dia
por toda vida te queria para mim
só pra te ter, só pra te ter
Por todos os meus dias...
a cobiça me consome sempre que te vejo passar, anseio por um olhar,
por um vestígio de desejo, mas você inisisti em não me notar
ah..meu bem-querer..
Felipe Portaro
Pedido (expressão de um sentimento)
Você é uma rosa...
...e como a rosa que é todos vêem a sua beleza...
...a sua delicadeza... poucos são os que sentem o seu perfume.
E muitos são os que se furam nos seus espinhos.
E por isso como rosa que é, prefere ficar dentro do vidro...
...assim não machuca e não corre o risco de ser machucada...
...mas eu quero sentir o seu perfume, e pra isso não preciso machucar suas pétalas ou me furar.
Basta que eu não te segure com força pra nao me machucar..
Basta que eu não te segure com força pra nao me machucar..
...assim se você se acomodar na minha mão não preciso segura-lá, pois estará segura e confortavel.
Então eu posso me aproximar sem medo de te despedaçar ou de me ferir..
Então eu posso me aproximar sem medo de te despedaçar ou de me ferir..
...mas não existe outra maneira de cuidar de uma rosa sem toca-lá.
Entende?
Entende?
Preciso que não tenha medo de mim, eu sou de verdade, isso assusta.
Eu preciso muito que você entenda que eu não quero te apertar ou despedaçar. Quero te regar, te cuidar, para admira-lá e de mansinho me aproximar para sentir seu perfume.
Não vou me machucar e nem te machucar.
Não vou me machucar e nem te machucar.
Te dou tudo aquilo que disse lá em cima e mais as estrelas se quiser.
Mas dentro do vidro eu não consigo te regar, nem te cuidar, nem sentir o seu perfume.
Felipe Portaro
Felipe Portaro
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Sentimento (expressão de um sentimento)
De você não quero nada
Nenhuma prova, nenhuma palavra de amor
Só quero aquela ligação de madrugada
Dizendo que não conseguia dormir
ou que teve um sonho ruim
Não espero nenhum gesto de carinho
Desde que você me procure quando tiver medo
Não precisa me falar que pensou em mim
basta pensar
E se alguma coisa te preocupar
só não pense em nada, vem pro meu colo
Não quero nada que venha de corpo
Nada que venha da boca
Teu corpo é meu santuário
Tua boca meu confesionário
Que quando me cala arranca meus segredos mais íntimos
Que quase como quem nada quer me descobre
Felipe Portaro
Nenhuma prova, nenhuma palavra de amor
Só quero aquela ligação de madrugada
Dizendo que não conseguia dormir
ou que teve um sonho ruim
Não espero nenhum gesto de carinho
Desde que você me procure quando tiver medo
Não precisa me falar que pensou em mim
basta pensar
E se alguma coisa te preocupar
só não pense em nada, vem pro meu colo
Não quero nada que venha de corpo
Nada que venha da boca
Teu corpo é meu santuário
Tua boca meu confesionário
Que quando me cala arranca meus segredos mais íntimos
Que quase como quem nada quer me descobre
Felipe Portaro
Ah amor (Música)
Ah amor.. tanta coisa aconteceu,
nosso tempo passou..
E tudo aquilo que planejamos no nosso amor,
tão verdadeiro e infinito que acabou.
Eu vou jurar por Deus que te esqueci..
E vou dizer coisas que nunca quis.
Ah amor.. eu vou mentir só pra você partir,
pois não posso mais viver assim..
meu peito aperta se penso em você,
mas sei que o certo é te amar assim..
você de longe mas dentro de mim.
Ah amor.. e eu que nunca aprendi a ser
o amigo que você sempre quis.
Felipe Portaro
nosso tempo passou..
E tudo aquilo que planejamos no nosso amor,
tão verdadeiro e infinito que acabou.
Eu vou jurar por Deus que te esqueci..
E vou dizer coisas que nunca quis.
Ah amor.. eu vou mentir só pra você partir,
pois não posso mais viver assim..
meu peito aperta se penso em você,
mas sei que o certo é te amar assim..
você de longe mas dentro de mim.
Ah amor.. e eu que nunca aprendi a ser
o amigo que você sempre quis.
Felipe Portaro
Circo (Música)
Ando me sentindo tão circense,
paulista, manauara, mato-grossense,
acho que estão de brincadeira
com o povo brasileiro
pintaram nossos narizes
e armaram um picadeiro
queriam fechar as portas do país
pra acabar com os problemas
mas de samba e carnaval a gente entende
pianinho pianinho bola pra frente
nesse contexto imundo
se contorcendo, fazendo mágica e comédia
da trágica situação do mundo
o jardim existe se tem flor no canteiro
o samba não se acaba enquanto tiver um pandeiro
o Brasil não fecha enquanto houver brasileiro
e com as portas abertas
a gente faz o nosso show pro mundo inteiro
aplaudir de pé o malabarista brasileiro
Felipe Portaro
paulista, manauara, mato-grossense,
acho que estão de brincadeira
com o povo brasileiro
pintaram nossos narizes
e armaram um picadeiro
queriam fechar as portas do país
pra acabar com os problemas
mas de samba e carnaval a gente entende
pianinho pianinho bola pra frente
nesse contexto imundo
se contorcendo, fazendo mágica e comédia
da trágica situação do mundo
o jardim existe se tem flor no canteiro
o samba não se acaba enquanto tiver um pandeiro
o Brasil não fecha enquanto houver brasileiro
e com as portas abertas
a gente faz o nosso show pro mundo inteiro
aplaudir de pé o malabarista brasileiro
Felipe Portaro
O homem que quis brincar de Deus (música)
O homem que quis brincar de Deus
fez do Sol as costas da Lua
que como um só ofuscados
em pele nua ardiam frios
fez macacos sem braços
com cem rabos
e seus pratos das lixeiras
água densa empoeirada
e salgou as cachoeiras
os mares viraram mangues
a noite durava o dia inteiro
fez pássaros com asas de lata
que rastejavam com seu peso
fez árvores que nasciam para baixo
e se alimentavam de peixes
que se debatiam desajeitados
voando entre as almas e a gente
fez que sabia o que fazia
e acabava com o mundo da gente
fez do cético seu pastor
e nos tornava descrentes
éramos canibais
que já nasciam adultos
sem sonhos ou castelos
tragando com a dificuldade
de quem mastiga lâminas com os dentes
o ar pesado e seco
que quase podia ser apertado com os dedos
Felipe Portaro
fez do Sol as costas da Lua
que como um só ofuscados
em pele nua ardiam frios
fez macacos sem braços
com cem rabos
e seus pratos das lixeiras
água densa empoeirada
e salgou as cachoeiras
os mares viraram mangues
a noite durava o dia inteiro
fez pássaros com asas de lata
que rastejavam com seu peso
fez árvores que nasciam para baixo
e se alimentavam de peixes
que se debatiam desajeitados
voando entre as almas e a gente
fez que sabia o que fazia
e acabava com o mundo da gente
fez do cético seu pastor
e nos tornava descrentes
éramos canibais
que já nasciam adultos
sem sonhos ou castelos
tragando com a dificuldade
de quem mastiga lâminas com os dentes
o ar pesado e seco
que quase podia ser apertado com os dedos
Felipe Portaro
Capítulo 1 - Parte 3
Estava realmente determinado. A ponto de descer ao inferno e decepar esse tal demônio. Ele não podia ser tão pior que a minha mãe. Quanto mais eu procurava, mais eu me afastava do meu objetivo real, e sem perceber, estava rodando em círculos. Comecei a me aprofundar na busca, procurar respostas. Comecei a estudar ocultismo e buscar soluções para minha jornada. Dei-me conta então, que quanto mais eu estudava e aprendia, mais ignorante eu me sentia. O ‘saber’ é um poço sem fundo. Decidi então fazer o que ninguém mais teria coragem. Fui realmente atrás do demônio.
Diferente do que pensei, ele me acolheu de braços abertos e me convidou para um drinque. Surpreendi-me. Esperava um trevoso em chamas com cheiro de enxofre e olhar macabro em um abismo de lava, e me deparei com um homem bem vestido, de gosto refinado e extrema elegância no porte e linguajar. Trajava um terno preto de muita classe, uma camisa vermelho-sangue e sapatos pretos. Surpresa maior foi quando reparei: ele tinha os meus traços. Não sei se por deboche ou lição, mas ele era eu. Uns quinze anos mais velho, porém bem conservado, com um ar maduro e imponente. Conhecia-me bem, me cumprimentou com um firme aperto de mãos, sorrindo e olhando nos olhos. Convidou-me a sentar-me em sua mesa num belo saguão, ao melhor do jazz, interpretado por um piano, um rabeco e uma bateria. Me ofereceu um whisky 21 anos e um charuto cubano da melhor qualidade. Por educação, aceitei.
-Em que posso ser-lhe útil? – Indagou com um tom de voz calmo e aveludado.
-Não é em que, e sim, como pode ser-me útil. – Retruquei – Vim apresentar-lhe uma proposta.
-E que proposta seria essa?
-Ou o senhor sai da minha vida por completo ou exorcizá-lo-ei. – Hostilizei.
-Parece-me mais uma ameaça a uma proposta. – respondeu em tom sereno.
-Entenda como... – e fui interrompido de súbito por uma mulher, a mais linda que já vi, que trazia nossas bebidas e charutos. Encantei-me por um instante, mas fui rapidamente trazido de volta ao foco.
-O senhor dizia..?
-Eu dizia que o senhor interprete como melhor entender! Estou decidido a livrar-me do mal.
Brindamos, e ele educadamente acendeu meu charuto. Então após um gole, ele olhou nos meus olhos e disse calmamente:
-Compreendo sua busca, porém, sinto informar-lhe que não será possível. Eu não me faço presente na sua vida para deixá-la e nem é possível exorcizar-me, já que, como pôde perceber, eu sou você.
-Isso é uma ilusão! Usas minha feição para ludibriar-me! Não sou tolo! Conheço tuas artimanhas, demônio! Posso não ser um fiel participante dos cultos, mas ainda assim meu Senhor me amparará e não cairei diante de vós!
-Não seja ingênuo, tua alma já me pertence. Teu Senhor nada fará por ti.
-Ousa desafiar meu Senhor?
-Seria desnecessário, para que desafiá-Lo se o inimigo em questão é o senhor mesmo?
-Sei o que quer e não vai confundir-me! Trouxeste a desgraça a minha vida uma vez e nunca mais!
-Faz-me rir! Hahaha! Tão ingênuo, criança! Dizes que eu trouxe a desgraça para tua vida, assim como tua mãe faz, culpa-me pelos teus erros! São teus erros e não meus, eu não levei o inferno à sua vida, não senhor, eu aceitei a sua vida no meu inferno. Culpa os demônios pelas tuas falhas. Levanta e enfrente a ti mesmo! Pare de se esconder na pele do cordeiro, eu não sou o seu lobo, o senhor o é! Humanidade sofrida, que se arrasta em seu próprio lixo, não percebe que vós sois os culpados por toda a maldade e tristeza do mundo? Por que culpam os demônios, se em vós eles se encontram?
Por que escondem-se de si mesmos e não enfrentam esse "lobo", que vive travestido com o hábito sagrado?
Dizem que eu sou uma entidade perversa, uma entidade que deve ser temida. Ora, eu já assumi o meu "lobo" há muito tempo, se não sou santo, também não sou mais um hipócrita que se auto-engana, fechando os próprios olhos e virando as costas para as Trevas, que também fazem parte de mim. Abra os olhos e enfrenta hoje as Trevas que vivem em vós, para amanha não perder-se nelas. Um verdadeiro guerreiro da luz e amor do Criador pode "entrar e sair" do mais profundo inferno, pois nele, as trevas já foram combatidas e vencidas.
Não sabia o que dizer. De repente tornou-se tão óbvio, o demônio trazia a minha cara para mostrar-me, o culpado era eu. Se eu não conseguia caminhar pelas trevas, é porque eu ainda as vivia. Eu alimentava as trevas com tanta intensidade dentro de mim, que nem com a morte eu estava curado.
Ele ainda completou:
-Tua determinação te traiu. A mesma força que te trouxe até aqui, te cegou de tão intensa. E cada passo que dava em direção ao seu objetivo final, foi um passo em direção a mim. Tornou-te intolerante, sentiu-se apto a julgar e executar, de tão cego, sufocou o que te torna humano, seu coração.
Respirei fundo, cabisbaixo. ainda em silencio, contendo ao máximo as lágrimas que teimavam em escorrer pelo meu rosto. Raiva? Frustração? Medo? Não. Fui de encontro certo ao demônio numa louca tentativa de exorcizá-lo e acabei encontrando Deus.
-Como fui tolo! – eu disse em meio às lágrimas que rolavam compulsivamente – Fui tão cego atrás de um culpado para o meu sofrimento que acabei caindo sem ver que eu sempre fui o culpado. Desci ao inferno procurando uma Besta, um demônio de mil cabeças, pronto para acabar com ele em nome de Deus e encontro um emissário Dele, travestido no meu reflexo. Mas não entendo, por que o senhor é sempre descrito como um monstro? Por que o senhor é tão temido e desrespeitado?
Deu mais um gole e me respondeu sorrindo:
-Cada um constrói sua própria ponte para o Inferno. Eu sou reflexo do interior de cada um. Eu sou seu coração, tão vital quanto traidor. Aquele que me vê como uma Besta de mil cabeças sofrerá a fúria do Inferno da Besta de mil cabeças, aquele que me vê como um carrasco de chifres e tridente, será punido conforme seu merecimento, e assim por diante.
-Não entendo senhor, porque eu o vi como eu? E porque o senhor não me puniu? Disse que minha alma já pertencia ao senhor e depois me mostrou a verdade, por quê?
-Primeiro, o senhor não está desencarnado, veio até mim por opção, ainda não chegou sua hora. Segundo, eu já lhe disse, eu sou o seu coração, eu sou reflexo do que o senhor vibra, o senhor achava estar vibrando força, determinação, clareza, mas na verdade, o senhor não estava vibrando nada.
-Como assim? O que o senhor quer dizer com isso?
-O senhor vibrava o vazio absoluto, um dos mistérios mais incompreendidos da Criação.
-Ainda não entendo. Por favor, me explique senhor!
Ofereceu-me mais uma dose para continuar a conversa e prosseguiu:
-Não posso explicar-lhe tudo, muito o senhor aprenderá em sua missão, mas posso adiantar-lhe: o senhor compreendeu um aspecto da morte que poucos compreendem enquanto ainda vivem. A morte não é necessariamente o desencarne. A morte pode trazer muitas benesses quando bem trabalhada e aproveitada. O senhor sem saber conseguiu a morte da negatividade, a morte de seus tantos vícios, a morte do seu antigo eu para a chegada do novo ser que está por vir. Um ser consciente e capaz de compreender a importância da sua missão, mais importante ainda, capaz de cumprir essa missão com louvor. Somente encontrando o vazio absoluto é possível regenerar-se. Agora, já está tarde, é hora de voltar para o seu corpo! Encontrar-nos-emos algum dia cavalheiro!
-Não sei como agradecer-lhe senhor! Perdoa minha hostilidade! Não sabia que o próprio demônio era um emissário do meu Senhor!
-Tudo na sua vida é obra ou intervenção Dele! Basta o senhor saber olhar com fé e amor.
Voltei para o meu corpo ainda muito emocionado. Ainda era jovem e havia encontrado muito mais do que procurava. Fui até o Inferno buscando o fim e encontrei o início. Essa foi a maior prova de que Deus se faz presente em todos os lugares. Ele é o Tudo e o Todo! Sem dúvida Ele está em tudo!
Conto de Felipe Portaro
*Um trecho dessa conversa foi inspirada e por admirição acrescida de algumas frases de um texto de Fernando Sepe (Blog Orun Ananda)
Capítulo 1 - Parte 2
Meu despertar aconteceu em três fases:
-Despertar
-Aceitação
-Morte
Vou esclarecer para facilitar o entendimento geral.
DESPERTAR – Durante a última atrocidade/maldade cometida pela minha mãe enquanto ainda morávamos juntos, me dei conta que eu tinha uma opção, além de afundar sua mandíbula com meu joelho ou arremessá-la através da janela do sétimo andar. Ir embora. Para onde? Meu pai não se preocupa muito com nada além das suas transas, sempre foi assim e provavelmente sempre será! Restava a casa dos meus avos, isso mesmo, os pais da minha mãe. Na verdade a grande sacada não era encontrar um lugar e sim, depois de tantos anos, finalmente acordar. A responsabilidade era minha. A culpa não, mas a responsabilidade sim, eu tinha outro caminho. Mas o que eu faria da minha vida sem a minha mãe, que até então era o objeto citado no início, ela era a pessoa mais insuportável que eu.
ACEITAÇÃO – Depois do alívio da primeira semana longe da minha mãe, me dei conta: eu não tinha mais em quem por a culpa. Era, a partir daquele momento, realmente responsável pela minha vida, fosse ela boa ou não. Aceitar aquilo levou alguns dias, não foi fácil digerir e começar a agir.
MORTE – Finalmente havia compreendido. Dei-me conta, então, que chegara minha hora. Eu precisava morrer. Não fisicamente. Emocional, racional, internamente. Comecei pela minha mãe. Estava decidido, nunca mais a veria novamente. Durante os primeiros dois anos sofri demais. Só de ouvir o nome dela, tinha verdadeiras crises de pânico, tremor, não fiquei pior nem quando me deparei com a morte física. Depois de dois anos agonizando a cada segundo qualquer manifestação de sua presença, eu consegui. Eu matei minha mãe. Não fisicamente, mas no meu coração, ela estava finalmente morta, onde continua até hoje. Pareceu um milênio, mas quando finalmente consegui, senti algo que nunca havia sentido na vida. Alívio. O mais difícil já havia terminado, continuei então meu processo de morte. Nesse período, matei meus vícios físicos e comportamentais. Aproveitei para matas mais pessoas dentro de mim, como meu pai, alguns desafetos e algumas ‘ex’ que não me deixavam em paz. O mais difícil de matar foi a dependência. Sempre que morria alguém que era importante, eu transferia a dependência para um próximo na lista, ate que senti necessidade de matar tudo e praticamente todos. Na verdade as únicas pessoas que não cheguei a matar de fato, foram meus primos e primas. Matei meu ódio e com ele meu amor. Matei tudo que pude até ficar cru o suficiente para começar uma nova esperança de vida. Meu coração estava pronto para recomeçar, mas minha cabeça não.Não sentir não implica em não lembrar.
Eu precisava acabar com a tormenta que dominava meus pensamentos, precisava me exorcizar, incendiar minha cabeça, deixar o fogo consumir tudo o que nela restava.
Dei início ao que eu achava ser a última etapa da minha transformação. Comecei uma caça às bruxas, atrás de exorcizar de vez meus demônios.
Capítulo 1 - Parte 1
"Capítulo 1" é um pequeno conto de minha autoria. Dividirei suas 3 partes em 3 posts.
Parte 1 - Sobrevivendo a mim mesmo
Muitos procuram o caminho mais fácil, procurar alguém mais insuportável que si próprio para atribuir todas as ‘desgraças’ que lhe cerquem. De fato é um caminho ‘tranquilo’ por assim dizer, afinal, para que assumir o quanto é difícil sobreviver a si mesmo? Obviamente, nunca sonhei em admitir para mim e para o mundo o quando eu, e apenas eu, era responsável pelas minhas derrotas e frustrações, porém, entretanto, eu optei por dormir sozinho, o que eu não sabia, é que isso implicava em acordar comigo.
E as longas conversas antes de dormir com minhas companheiras, que outrora tanto me incomodaram, gritaram alto a sua falta diante do silêncio que dava voz aos meus pensamentos. Alguns tão doentes, que creio eu, seriam dignos de passar para trás os piores relatos que a humanidade já conheceu. Afinal, que espécie de demônio sonharia em abrir o peito da própria mãe com os punhos e se deliciar apertando seu coração até explodi-lo entre seus dedos encharcados com o sangue quente, enquanto seus olhos se apagam lentamente imprimindo a dor eterna que aquele corpo jamais esqueceria mesmo depois de decomposto. Fui criado para ser um monstro. Mas neguei minhas origens e criação, contrariando tudo e todos. Provavelmente lendo isso, hão de pensar “Animal! Sádico! Débil!”. Vocês não conhecem minha amada mãe! Pela criação dela, e do meu amado, porém extremamente ausente pai, eu poderia ser qualquer coisa, menos um ser humano comum. Admito comum não sou, mas não estou tão fora dos padrões aceitáveis, e como a maioria, eu disfarço bem!
Vou começar pelo meu amado pai, por que não tenho muito que falar dele, já que de fato, convivo com ele há pouco tempo. O máximo que fiquei sem vê-lo foram míseros seis meses (aproximadamente). Porém, quando presente, ele nunca fez muito além de gritar comigo, me ofender, me humilhar de diversas maneiras, provando o quanto ele era superior a uma criança de oito anos. Pelo menos ele se manteve fiel as ameaças e agressões verbais, diferente da minha amada mãe que sempre inovou com suas diversas maneiras de agressão psicológica, moral, física e qualquer outra que ela encontrasse. Com sete anos, minha amada mão me ensinou carinhosamente o que eram um ‘cavalo’ e um ‘veado’ enquanto cuspia na minha cara, isso mesmo, cuspia na minha cara, literalmente, a saliva quente dela queimava meus olhos e me fazia querer vomitar, mas eu não podia, já que estava preocupado demais esperando a próxima agressão entre seus gritos “SEU VEADO! CAVALO! SEU MONSTRO!”. ‘Monstro’ eu já sabia o que era, ‘monstro’ era o ser que dormia no quarto dos meus pais travestido de mãe. Também aprendi os males da mentira desde muito cedo! Mamãe é uma atriz nata! Ela é capaz de roubar o seu dinheiro na sua frente e gritar ‘SOCORRO ESTOU SENDO ROUBADA SOCORRO!’ ou um exemplo mais clássico, como as inúmeras vezes que ela ofendia as pessoas com suas mentiras e depois saia pedindo socorro chorando desesperada ‘SOCORRO ESSE MONSTRO ESTÁ ME ATACANDO!’. Infelizmente mamãe nunca entendeu que, se ela chega para uma pessoa que está quieta em seu canto e a chama de nomes como ‘corno’, ‘veado’, ‘brocha’, ‘colhão’, ‘vadia’, ‘sapatona’, entre outros que ela tanto adora, ela não vai despertar o amor do próximo e sim o ódio! Mas não tem problema, é tudo culpa dos outros, sempre, e pode acreditar, é sempre culpa dos outros mesmo! Afinal, qual a responsabilidade dela sobre as próprias atitudes não é mesmo?
O mais interessante até hoje, é ver o quanto eu me sentia culpado por tudo isso. Na minha cabeça, a imaturidade, covardia e falta de interesse do meu pai, e, as atrocidades e covardias cometidas pela minha mãe, tinham que ser culpa minha. Meus realmente amados avos (pais da minha mãe) sempre me diziam que iam me ajudar e se esforçavam para isso como ninguém, mas sempre me lembrando que eu não podia falar para ninguém o que acontecia, senão levariam a minha mãe. Que criança de oito anos quer isso? Eu não! Ninguém levaria minha mãe de mim! Mesmo que ela distribuísse mordidas pelo meu corpo todo outra vez, como já havia feito antes - incrível, até hoje se alguém ameaça me morder, minha reação é a pior possível. Eu me considerava culpado pelo comportamento doentio dos meus amados progenitores. Isso me tornou durante alguns anos uma criança extremamente carente de qualquer tipo positivo de atenção. Na escola, essa carência me afetou brutalmente, já que eu não media esforços para ganhar aprovação dos colegas, sempre me rebaixando e fazendo o mesmo que aprendi em casa: obedecer e calar a boca.
Como eu disse no começo, eu lutei contra a minha criação. Como? Não sei dizer exatamente. Por quê? Também não sei dizer. O fato é que em algum momento da minha infância eu comecei a reagir instintivamente para minha sobrevivência, afinal, já não era apenas o inferno que eu conhecia em casa, agora também existia aquele inferno chamado escola. Obviamente, como a maioria esmagadora dos adolescentes, com quatorze anos, procurei uma fuga, algo que me libertasse, e encontrei. Drogas! Porém prefiro pular essa parte da minha vida que se resume em sete anos de loucura, sexo e tentativas constantes de consumir tudo o que eu conseguisse até apagar – diferente dos meus amigos da época, meu objetivo não era ficar louco e curtir a ‘trip’, era apagar - e pular direto para os vinte e poucos, onde começou o que eu vou chamar de ‘meu despertar’.
Até então eu não pensava em nada alem de destruir minha cabeça, apenas o suficiente para não sentir mais nada, ficar completamente anestesiado.
Intro
Sejam bem-vindos!
O blog será usado para postar meus textos, composições ou o que eu quiser. Logo encontrarão histórias e estórias, viagens, composições, sentimentos..
Nomeei o blog de 'Linhas Imaginarias' pq é o que nos limita 90% do tempo. A famosa linha tênue entre amor e ódio, a linha do certo e errado, a linha da esperteza e da burrice.. realidade e fantasia.
Poucos sabem do meu amor por escrever e compor, agora decidi tornar isso público e compartilhar com o resto do mundo, parte do meu mundo.
Vão encontrar de tudo aqui, tudo mesmo. Do Inferno ao Céu.
Mais uma vez, bem-vindos a um pouco do meu mundo..!
Felipe
O blog será usado para postar meus textos, composições ou o que eu quiser. Logo encontrarão histórias e estórias, viagens, composições, sentimentos..
Nomeei o blog de 'Linhas Imaginarias' pq é o que nos limita 90% do tempo. A famosa linha tênue entre amor e ódio, a linha do certo e errado, a linha da esperteza e da burrice.. realidade e fantasia.
Poucos sabem do meu amor por escrever e compor, agora decidi tornar isso público e compartilhar com o resto do mundo, parte do meu mundo.
Vão encontrar de tudo aqui, tudo mesmo. Do Inferno ao Céu.
Mais uma vez, bem-vindos a um pouco do meu mundo..!
Felipe
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