Meu despertar aconteceu em três fases:
-Despertar
-Aceitação
-Morte
Vou esclarecer para facilitar o entendimento geral.
DESPERTAR – Durante a última atrocidade/maldade cometida pela minha mãe enquanto ainda morávamos juntos, me dei conta que eu tinha uma opção, além de afundar sua mandíbula com meu joelho ou arremessá-la através da janela do sétimo andar. Ir embora. Para onde? Meu pai não se preocupa muito com nada além das suas transas, sempre foi assim e provavelmente sempre será! Restava a casa dos meus avos, isso mesmo, os pais da minha mãe. Na verdade a grande sacada não era encontrar um lugar e sim, depois de tantos anos, finalmente acordar. A responsabilidade era minha. A culpa não, mas a responsabilidade sim, eu tinha outro caminho. Mas o que eu faria da minha vida sem a minha mãe, que até então era o objeto citado no início, ela era a pessoa mais insuportável que eu.
ACEITAÇÃO – Depois do alívio da primeira semana longe da minha mãe, me dei conta: eu não tinha mais em quem por a culpa. Era, a partir daquele momento, realmente responsável pela minha vida, fosse ela boa ou não. Aceitar aquilo levou alguns dias, não foi fácil digerir e começar a agir.
MORTE – Finalmente havia compreendido. Dei-me conta, então, que chegara minha hora. Eu precisava morrer. Não fisicamente. Emocional, racional, internamente. Comecei pela minha mãe. Estava decidido, nunca mais a veria novamente. Durante os primeiros dois anos sofri demais. Só de ouvir o nome dela, tinha verdadeiras crises de pânico, tremor, não fiquei pior nem quando me deparei com a morte física. Depois de dois anos agonizando a cada segundo qualquer manifestação de sua presença, eu consegui. Eu matei minha mãe. Não fisicamente, mas no meu coração, ela estava finalmente morta, onde continua até hoje. Pareceu um milênio, mas quando finalmente consegui, senti algo que nunca havia sentido na vida. Alívio. O mais difícil já havia terminado, continuei então meu processo de morte. Nesse período, matei meus vícios físicos e comportamentais. Aproveitei para matas mais pessoas dentro de mim, como meu pai, alguns desafetos e algumas ‘ex’ que não me deixavam em paz. O mais difícil de matar foi a dependência. Sempre que morria alguém que era importante, eu transferia a dependência para um próximo na lista, ate que senti necessidade de matar tudo e praticamente todos. Na verdade as únicas pessoas que não cheguei a matar de fato, foram meus primos e primas. Matei meu ódio e com ele meu amor. Matei tudo que pude até ficar cru o suficiente para começar uma nova esperança de vida. Meu coração estava pronto para recomeçar, mas minha cabeça não.Não sentir não implica em não lembrar.
Eu precisava acabar com a tormenta que dominava meus pensamentos, precisava me exorcizar, incendiar minha cabeça, deixar o fogo consumir tudo o que nela restava.
Dei início ao que eu achava ser a última etapa da minha transformação. Comecei uma caça às bruxas, atrás de exorcizar de vez meus demônios.
Nenhum comentário:
Postar um comentário