segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

No escuro do meu quarto (sentimento, inspiração, medo..)

No escuro do meu quarto ouço meus pensamentos. É no escuro do meu quarto que me deparo comigo e encontro meu maior carrasco, eu mesmo. No escuro do meu quarto choro baixo para não me incomodar. Rolo de um lado pro outro na minha cama sem encontrar o sono. A cama anda tão enorme e vazia. No escuro do meu quarto abafo meu grito com o travesseiro, não quero que eu perceba que não estou bem. Abro um sorriso falso para mim e finjo dormir. Não quero que eu perceba que estou preocupado. No escuro do meu quarto viajo para outro mundo, longe de mim, onde eu não exista. As vezes, no meio da noite, finjo me querer, mas as vezes não consigo mentir.
Abro os olhos, o quarto não está mais tão escuro. A luz do dia clareia minha janela e me acorda da minha falta de sono. Que vontade de dormir. Lavo o rosto inchado, ajeito os cabelos e tomo um café. Espero o dia passar. Logo a noite chegará e o escuro do meu quarto estará lá, me esperando, pronto para fugir comigo.


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sábado, 23 de outubro de 2010

Meu café.. (sentimento, inspiração, solidão.. como chegamos a isso?)

Sentado do lado de dentro, aprecio o sabor do meu café.
Observo-a do lado de fora, já não tão atenta quanto antes, mais decidida a não entrar.
Como quem espera uma carona ou acontecer qualquer coisa, ela já não presta mais atenção nas cores do lado de fora.
Talvez o conceito não a agrade mais.
Talvez tenha cansado dos desencontros de horários ou de tentar entrar tantas vezes e sempre se deparar com uma porta de vidro fosco fechada.
Não me lembro onde deixei as chaves.
Nunca sei qual é a certa.
Dou mais um gole e percebo sua impaciência.
Como delicioso aroma do café conduz bem a situação.
Talvez seja ele, o requiem que não preenche o fundo desse curta.
Ela já não está mais agitada.
Olha as horas, e de soslaio observa uma última vez a fachada, deixando apenas a lembrança do seu perfil marcada na fumaça do café que distorce nossa despedida.
Adeus.
Ela se foi.
Eu contínuo aqui dentro, sozinho, com o amargo sabor do meu café.



Felipe Portaro

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sonhei com ela.. (pensamento/sentimento/reflexão) 02/09/2010

Sentei-me ao lado dela e a ouvi desejar o Céu..
Falou sobre ir mais longe e alcançar algo maior..
Sonhei seus sonhos.. por um instante respirei sua verdade.
Tornei sua verdade a minha, assim tornando-a verdadeira.
Esquecia-me de mim.Seus sonhos eram meu ar.
Um dia, enquanto a observava dormindo, inspirei-me.
Ela me dizia coisas tão belas.
Como tornar tais sonhos reais?
'Se o que deseja é o Céu, o Céu terá!'
Construi um foguete e a convidei para viajar de estrela em estrela.
Tamanha foi minha surpresa quando ela não quis descer do elevador.
Estava a um passo de um foguete, que a levaria ao infinito..
Mas ela não enxergava nada além do elevador.
Contemplava a grandeza do elevador e se encantava com a magia em subir e descer alguns metros do chão.
Expliquei que o foguete a levaria realmente até o Céu.
Ela então me explicou que já estava no Céu.
De fato, para quem esteve sempre no chão, alguns metros acima, é Céu.
Mas eu insisti em levá-la comigo.
A fiz infeliz. Lá do alto ela almejava seu elevador.
Compreendi então que ela não queria alcançar o Céu como eu e sim contemplar as estrelas.
Percebi que mesmo que a levasse a Lua, não a faria feliz..
Porque ela nada via além do elevador. Aquele era seu limite. Estar fora do chão mas no chão.
Alcançar o Céu com os olhos.Visitar as estrelas em sonhos.
Não me contentei em sonhar.
Retornei a Terra. Entreguei-a a seu elevador. Voltei para minhas estrelas.
Volta e meia me pego sonhando com ela.
Vou construir um elevador na Lua, quem sabe assim não sonhamos juntos outra vez.

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Felipe Portaro