Sentei-me ao lado dela e a ouvi desejar o Céu..
Falou sobre ir mais longe e alcançar algo maior..
Sonhei seus sonhos.. por um instante respirei sua verdade.
Tornei sua verdade a minha, assim tornando-a verdadeira.
Esquecia-me de mim.Seus sonhos eram meu ar.
Um dia, enquanto a observava dormindo, inspirei-me.
Ela me dizia coisas tão belas.
Como tornar tais sonhos reais?
'Se o que deseja é o Céu, o Céu terá!'
Construi um foguete e a convidei para viajar de estrela em estrela.
Tamanha foi minha surpresa quando ela não quis descer do elevador.
Estava a um passo de um foguete, que a levaria ao infinito..
Mas ela não enxergava nada além do elevador.
Contemplava a grandeza do elevador e se encantava com a magia em subir e descer alguns metros do chão.
Expliquei que o foguete a levaria realmente até o Céu.
Ela então me explicou que já estava no Céu.
De fato, para quem esteve sempre no chão, alguns metros acima, é Céu.
Mas eu insisti em levá-la comigo.
A fiz infeliz. Lá do alto ela almejava seu elevador.
Compreendi então que ela não queria alcançar o Céu como eu e sim contemplar as estrelas.
Percebi que mesmo que a levasse a Lua, não a faria feliz..
Porque ela nada via além do elevador. Aquele era seu limite. Estar fora do chão mas no chão.
Alcançar o Céu com os olhos.Visitar as estrelas em sonhos.
Não me contentei em sonhar.
Retornei a Terra. Entreguei-a a seu elevador. Voltei para minhas estrelas.
Volta e meia me pego sonhando com ela.
Vou construir um elevador na Lua, quem sabe assim não sonhamos juntos outra vez.
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Felipe Portaro
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