Sentado do lado de dentro, aprecio o sabor do meu café.
Observo-a do lado de fora, já não tão atenta quanto antes, mais decidida a não entrar.
Como quem espera uma carona ou acontecer qualquer coisa, ela já não presta mais atenção nas cores do lado de fora.
Talvez o conceito não a agrade mais.
Talvez tenha cansado dos desencontros de horários ou de tentar entrar tantas vezes e sempre se deparar com uma porta de vidro fosco fechada.
Não me lembro onde deixei as chaves.
Nunca sei qual é a certa.
Dou mais um gole e percebo sua impaciência.
Como delicioso aroma do café conduz bem a situação.
Talvez seja ele, o requiem que não preenche o fundo desse curta.
Ela já não está mais agitada.
Olha as horas, e de soslaio observa uma última vez a fachada, deixando apenas a lembrança do seu perfil marcada na fumaça do café que distorce nossa despedida.
Adeus.
Ela se foi.
Eu contínuo aqui dentro, sozinho, com o amargo sabor do meu café.
Felipe Portaro
Nenhum comentário:
Postar um comentário